Entrevista com José Araújo "Há muito ainda para se fazer no futsal"

Entrevista com José Araújo "Há muito ainda para se fazer no futsal"

O Magazine-Futsal esteve a conversa com José Araújo, de 55 anos. Natural de Ponta Delgada, foi árbitro nacional em andebol e de hóquei Patins, dirigente da AFPD durante dez anos como vice-presidente e presidente-adjunto, monitor/formador de arbitragem, possuidor de curso de treinador de futsal e de dirigente desportivo.

 Magazine-Futsal- O José Araújo, na época 1998/1999, fez parte da direção da AFPD, que tinha como objectivo lançar o futsal nas ilhas de São Miguel e Santa Maria, meta que não foi alcançada. O que falhou?

José Araújo – O futsal, a nível nacional, também na altura estava a dar os primeiros passos, na época 1997 – 1998, e foi quando que a FPF organizou o seu primeiro campeonato federado. Em São Miguel e Santa Maria não havia muita vontade dos sócios da AFPD. por ser ainda uma modalidade nova. Contudo, na altura fui criticado e afirmaram que não tinha capacidade para organizar qualquer evento, muito menos para ser responsável pelo pelouro, mas com a boa colaboração dos meus colegas de direção e clubes de São Miguel e Santa Maria tudo se concretizou, e a história da modalidade fala por si por estas ilhas do arquipélago dos Açores, com quem colaborei

Magazine-Futsal- Mais tarde, na época 2003/2004, o futsal é finalmente lançado nas ilhas de São Miguel e Santa Maria, sendo o José Araújo um dos grandes obreiros deste feito. Na altura, esperava que a modalidade viesse a ter o impacto que tem hoje no desporto açoriano?

José Araújo- Sim e já nessa época o futsal já tinha boa visibilidade a nível nacional, e São Miguel deu os primeiros passos com a entrada dos primeiros clubes de futsal nos escalões de seniores, juvenis e infantis, num total de 17 equipas. Foi um bom arranque.

Magazine-Futsal- O José Araújo esteve entre 2003 a 2011 ligado diretamente ao futsal, com vários cargos na AFPD, estando agora a acompanhar o futsal mais por fora. Que balanço faz destes 10 anos de futsal federado em São Miguel e Santa Maria?

José Araújo- Noto que já uma boa organização dos clubes de futsal, pois deixaram de ser aquele ‘grupo de rapazes da sua rua’, que se juntam para ir dar uns ´pontapés´ na bola.Recordo a entrada do Lagoa Benfica, em 2005-2006, como 1.º clube da AFPD a competir na 3.ª Divisão Nacional, a participação do Operário na 1.ª divisão e o aparecimento da Série Açores, em 2011-2012. O início da modalidade em Santa Maria, em 2007-2008 e o aparecimento dos seniores femininos, em 2008-2009, e dos juniores, em 2011-2012.

Pela negativa, os seniores masculinos, em São Miguel, não competiram em 2012-2013.

Magazine-Futsal- Na sua opinião, como vê o trabalho da AFPD, em relação ao futsal?

José Araújo- Pura gestão, nos últimos anos. Contudo, fez algum esforço para aumentar o número de equipas seniores, só que não se pode passar por cima dos estatutos que regem a modalidade.

Magazine-Futsal- Desde a sua saída que a AFPD não tem uma pessoa ligada apenas ao futsal. Aceitaria regressar à associação, se o convite surgisse?

José Araújo- Não aceitaria. Contudo, estou sempre aberto a todos os convites, mas só aceitaria se fosse com uma equipa nova, dinâmica e que visse o futsal como um aliado do futebol e não como um concorrente, pois há espaço para as duas modalidades, que têm uma coisa em comum, que é que é ser jogado com os pés. No entanto, não devo fazer parte de uma equipa que já não me diz nada.

Magazine-Futsal- Considera que os clubes estão a ser prejudicados por não haver um coordenador técnico para o futsal?

José Araújo- Os clubes que têm equipas de futsal é que se poderão pronunciar, com a falta ou não, de um coordenador para o futsal.

Magazine-Futsal- Também se fala no seu nome para ser um futuro candidato à presidência da AFPD. É verdade?

José Araújo- Para presidência da AFPD não, porque penso que há outros bons candidatos. Poderei ser sim, um elemento de um futuro elenco diretivo.

Magazine-Futsal- O José Araújo tem curso de dirigente desportivo e também de treinador de Futsal. Alguma vez recebeu convites de clubes para desempenhar alguma função? É uma hipótese que poderia considerar?

José Araújo- Dada a minha actividade profissional, não tenho muito tempo disponível, pois a actividade num clube exige muito de um director ou de treinador, no seu dia-a-dia.

Magazine-Futsal- Dentro dos muitos cursos que frequentou, está um de monitor/formador de árbitros de futsal. Sendo uma pessoa muito ligada à arbitragem, qual é a sua opinião sobre os árbitros de futsal de São Miguel?

José Araújo- Houve muita evolução nos árbitros que ajudei a formar, o que é uma honra pessoal já vê-los a arbitrar a nível nacional e receber opiniões externas positivas de que continuam no bom caminho.

Magazine-Futsal- Após um ano de paragem, o campeonato de seniores voltou esta época com 5 equipas. No entanto, no campeonato Costa Norte participaram 15 equipas e na liga do Inatel participaram 5 equipas. Na sua opinião, o que é que falta para estas 20 equipas poderem competir nas provas da AFPD?

José Araújo- Muitos dos jogadores que ainda jogam nos campeonatos, fora do âmbito associativo, ainda pensam no objetivo da 3.ª parte, que passa por umas cervejinhas depois do jogo. Temos ainda de considerar o aspeto financeiro e que na AFPD tem outros custos por exigências federativas. Temos ainda a dificuldade dos clubes de formar um escalão de formação, conforme estipula os estatutos da AFPD e, a partir daí, cada um que tire as suas conclusões.

Magazine-Futsal- Por outro lado, este ano registou-se um aumento de equipas de formação, fazendo desta época a recordista em número de equipas inscritas. Com este aumento de equipas no futsal, acha que a AFPD deveria ter mais seleções de futsal e, não apenas duas como teve este ano?

José Araújo- Os meus parabéns pelo esforço que os clubes fizeram ao longo desta época. A AFPD só devia ter aquelas selecções que têm participação a nível nacional, não descurando as femininas, que estão um pouco esquecidas.

Magazine-Futsal- Com este aumento de equipas, acha que São Miguel tem os pavilhões necessários e em condições para a prática do futsal?

José Araújo- São Miguel não tem os pavilhões necessários para treino e jogo. O tempo de treino é limitado, pois têm de dividir muitas as vezes por dois escalões e à mesma hora, o que dificulta, em muito, a evolução da modalidade. Com o aparecimento do pavilhão da escola de Ponta Garça e o dos Remédios, melhorou um pouco. Contudo, falta ainda remodelar outros que já têm mais de 20 anos de existência.

Magazine-Futsal- Com os pavilhões que existem em São Miguel, acha que algum dia podemos ver uma grande competição nacional cá na ilha, como por exemplo a final da Taça de Portugal?

José Araújo- Espero que sim, pois já era tempo de termos este evento em São Miguel, dado que temos pavilhões com qualidade e com as dimensões requeridas pela FPF para a sua realização, tanto em Ponta Delgada como em Vila Franca. Basta a AFPD candidatar-se.

Magazine-Futsal- Na próxima época e tal como se sucedeu no futebol, a Série Açores vai ser uma competição regional. Na sua opinião, quais são as vantagens e desvantagens que esta mudança trás?

José Araújo- Não trás vantagens nesta transição, olhe o que aconteceu com o futebol na presente época. Como já tive oportunidade de escrever, existem duas hipóteses: ou temos uma série Açores na 2.ª divisão com 10 equipas ou teremos a participação numa série do Continente, com 4 ou 5 clubes, com regras claras, de quem sobe e desce.

Magazine-Futsal- Que balanço faz da participação das equipas micaelenses nos campeonatos nacionais de 3.ª e 2.ª divisão, esta época?

José Araújo- Bastante positiva em ambas as divisões, pois trás para cada ilha, mais espetáculo desportivo e movimenta a economia dos Açores.

Magazine-Futsal- Na sua opinião, quais são os principais problemas do futsal em São Miguel?

José Araújo- Tem de haver uma mudança da mentalidade desportiva do jogador micaelense. O aparecimento de mais pavilhões, onde aí, as associações têm uma palavra a dizer, pois só vi a do basquetebol reclamar e as outras modalidades deixam o barco andar. Quando foi para o arrelvamento dos campos de futebol, houve bom empenhamento de todos. E agora?

Magazine-Futsal- Qual vai ser para si, o maior desafio do futsal em São Miguel e Santa Maria para os próximos anos?

José Araújo- O reaparecimento em Santa Maria do campeonato de seniores masculinos com a descida dos CD Marienses é uma hipótese, assim como o aparecimento do futsal feminino, (seniores ou juniores) com o bom empenhamento dos clubes locais.